|
Diz
o Poeta que Portalegre-Cidade-Capital do Alto Alentejo é
cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros, onde
o sol abrasa e o frio tolhe, caracteri-zando-sintetizando, de forma
singular, os contrastes destas terras de transição.
Território espraiando-se desde os altaneiros contrafortes
da Serra Mãe, até às cálidas planuras
do interior sul, aqui convivem harmoniosamente os relevos da dominante
S. Mamede com as extensões planas do cultivo cerealífero,
num caldear de culturas e saberes que a peculiar maneira de ser
e de estar destas gentes, tão claramente espelhada na avidez
de afirmar uma identidade própria, como o exprimem as várias
manifestações do seu labor artesanal. Assim acontece
com os artefactos que também por outras paragens se fazem
mas muito especialmente, naquelas três formas únicas
de trabalhar algumas matérias primas que por aqui abundam.
Só por si as Tapeçarias dessa aristocrática
Portalegre ou os Empedrados plebeus de Niza ou os populares Alinhavados
justificam que se conheçam estas terras contrastantes.
Rui Abreu de Lima
investigador
|